Conhecendo um pouco o Hotel da Loucura

Publicado por Arthur Gomes em 13/4/2016

Descrevo aqui minhas experiências iniciais como estagiário no hotel.

O mais interessante da proposta do hotel da loucura é o rompimento com o modelo de atendimento da psiquiatria tradicional, no qual utilizam o medicamento como forma de "calar" o indivíduo. No hotel o indivíduo possui voz, e que voz! A voz de clamarem por seus anseios, a voz para exporem seus sentimentos e a sua voz interior, que muitas vezes incompreendidas, aqui passa a ganhar forma e sentido. Percebo que não almejamos a "cura", afinal ninguém é totalmente curado.

O que a sociedade considera como "cura"? Talvez a formatação desses indivíduos, onde a sua essência é apagada e suas ações padronizadas. Aqui é diferente, a loucura de cada um é o ponto de partida para a transmutação e resgate de potencialidades, para a forma singular que cada um pode agir no mundo e em si próprio.

A experiência com o teatro, a música, a arte em geral vai muito além do que o simples "fazer". É um "fazer" carregado de simbolos e representações, no qual cada batida dos instrumentos de percussão resgatam uma história, resgatam várias lembranças e até mesmo um sentimento de ancestralidade.

Aprendemos com Baruch de Spinoza que somos afetados pelas paixões e que as paixões que geram alegria despertam nossa potência de viver, aqui vivemos e fazemos alegria.

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música", Nietzsche.

Eu escolhi dançar com eles.