O que a síndrome de down tem a ensinar para o impasse das doenças psiquiátricas ?

Publicado por Gabriel Pavani em 7/5/2016

Vamos pegar uma doença onde a participação do componente biológico é indiscutível : Síndrome de down

É válido afirmar que poucas ou nenhuma patologia tenha tido tanto progresso , nos últimos 30 anos , quanto a Síndrome de Down. Em termos de aprendizado , possibilidades , manifestações de vida e de longevidade. Apesar de não dispormos de grandes avanços em termos de terapias biológicas ou gênica. Mais uma vez , vamos reforçar : em uma situação clínica onde, ninguém dúvida , que haja 100 % de participação biológica.

O que alterou ? Nosso modo de perceber , nosso modo de olhar para essas crianças. Foi quando nós como sociedade pudemos pressupor, que aquela marca biológica não era uma definição do indivíduo. Que havia ali uma singularidade plenamente capaz e digna. Um modo inédito de vida. Um modo novo de existir. É incrível ,veja o caráter paralisante que pode ter um diagnóstico médico colocado na frente da concepção singular do indivíduo. É criminoso com a vida.

Então, vamos fazer um paralelo : Em relação as doenças mentais , por exemplo, o que justificaria toda essa discussão preguiçosa e lasciva que vemos hoje, onde querem reduzir todas as expectativas e depositar todas as esperanças a achados genéticos ou então a marcadores biológicos.O que queremos com isso ?? Prolongar o crime ?? A lembrar , de modo oposto a Síndrome de Down , atualmente , não há sequer 1 marcador biológico que evidencie algum transtorno mental , apesar das hipóteses e linhas de pesquisa. E mesmo assim queremos imprimir univocidade a questão ?

Qual o alicerce de tal devoção ? Esse discurso alienante seria um álibi, para legitimar a redução de todo cuidado que temos hoje com os transtornos mentais a mera supressão de sintomas aliado a uma terapia ocupacional narcotizante ? Talvez, pelo motivo que a loucura seja mais difícil de lidar , por estar mais próxima de nós (aliás , está , em nós) e ,com isso, colocaria em questão nosso próprio modo de vida e de organização? Não deixaria barato as nossas covardias ! ? Uma coisa é certa : não há motivo algum que justifique o clima que já está tudo decidido e só estamos aguardando a próxima descoberta. Há muito o que se multiplicar . Há muitos horizontes a serem traçados . A história não vai terminar com uma pílula , certamente. E, além disso, já temos um belo exemplo para nos inspirar.

Não há desculpas.Não há o que esperar.Vamos fazer acontecer. Vamos multiplicar ! !