Quem somos e sobre o que dizemos

Publicado por Nathali Corrêa Cristino em 22/5/2016

Meu nome é Nathali Corrêa Cristino, sou mestre em Processos Psicossociais na Saúde pela Universidade Federal de Juiz de Fora, especialista em Saúde Mental para o SUS pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente sou psicóloga efetiva do quadro de pessoal do município de Porto Real/RJ, exercendo minha função há quase seis anos. Sou atriz do grupo de teatro Dragão Valente, criado dentro deste mesmo CAPS e batuqueira no maracatu Pedra Sonora de Penedo/RJ. Em meu percurso profissional posso afirmar que o trabalho exercido pelo médico Vitor Pordeus causou uma grande marca e uma influência transformadora. Foi através do aprendizado de seu método, que é utilizado nas intervenções realizadas no Hotel da Loucura, no interior do Instituto de Saúde Mental Nise da Silveira, que recebe influências desta grande autora, assim como de Spinoza, Paulo Freire, Maturana, Shakeaspere, entre outros, que pude iniciar uma atividade profundamente transformadora junto aos usuários do dispositivo onde trabalho. Uma atividade cujos resultados terapêuticos puderam ser demonstrados em minha pesquisa científica de mestrado. A utilização do teatro como forma de expressão de questões psíquicas e sociais, além de canal possibilitador a um conhecimento mais amplo da realidade interna e externa dos usuários, traz imensas possibilidades de melhora em seu quadro, conforme pude observar em meu trabalho. Diminuição das crises, criação de vínculos de amizade, melhora no humor e na capacidade de comunicação e expressão, capacidade de entendimento sobre as relações sociais e seu papel na comunidade, são apenas alguns dos resultados que pudemos documentar. Por sua importância, esse trabalho não pode parar, assim como o trabalho do qual ele é fruto também deve seguir adiante com toda força. E esse trabalho é o trabalho de Vitor Pordeus, o Hotel da Loucura, o teatro DyoNises e a Universidade Popular de Arte e Ciência.

O trabalho de Vitor Pordeus é fonte de inspiração para diversas iniciativas que, como a minha, buscam trazer Saúde Mental à população, de forma contextualizada histórica e socialmente. É um trabalho potente que mobiliza profissionais de todo o país e também do exterior na busca de uma sociedade mais justa e solidária, trazendo o diálogo e a construção coletiva como principais ferramentas para o fortalecimento dos cidadãos e o exercício da democracia.

No Hotel da Loucura aprendemos a importância de se tecer relações sinceras e afetuosas para o empoderamento e cura de todos. Criamos uma rede sólida de pessoas interessadas em transformar a sociedade em um lugar mais receptivo às diferentes formas de se habitar o mundo, interessados em demonstrar que a mudança é possível e que a ação para desfazer mecanismos adoecedores e opressores pode e deve ser praticada por todos. Desenvolvemos ações para a criação de um mundo que respeita, inclui, ampara e potencializa, um mundo que entenda que a diferença é a mola mestra de uma sociedade saudável, pois permite a circulação de discursos que englobem as múltiplas faces das questões que nos assolam atualmente.

Por isso tudo venho expor meu repúdio à exoneração de Vitor Pordeus, profissional extremamente dedicado e competente que vem desenvolvendo um trabalho de proporções e repercussões mundiais. Nossa sociedade necessita desse trabalho, ele não pode correr o risco de ser desfragmentado por uma decisão política sem fundamento. A presença de Vitor a frente do Hotel da Loucura, do teatro DyoNises e da Universidade Popular de Arte e Ciência é fundamental para o andamento eficaz das ações que vem sendo realizadas de forma tão grandiosa. A sua atuação afeta não somente os usuários do Instituto, mas também uma gama enorme de ações espalhadas por todo o país. Precisamos que o trabalho continue, temos resultados favoráveis e documentados acerca do método e sabemos de sua potência em intervenções práticas, mas para que estas intervenções possam seguir seu destino de crescimento e expansão, precisamos que Vitor continue em seu cargo e que possa ter sua capacidade de atuação garantida.

Reitero, então, o repúdio à exoneração de Vítor Pordeus do cargo de coordenador fundador do Núcleo de Cultura Ciência e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e do Hotel da Loucura, do Instituto Municipal Nise da Silveira