​ Como as artes nos dominam politicamente e como podemos nos libertar através delas.

Publicado por Vitor Pordeus em 2/9/2016

A arte é forma de comunicação transfigurada historicamente das religiões antigas. Neste tempo, os 90% da nossa evolução humana, dominava o modo de vida tribal, daí sermos seres políticos e gregários, termos sexualidade coletiva e bisexual. Os símbolos manipulados na arte são os símbolos do inconsciente coletivo formado ao longo destes 3 milhões de anos de história hominídea e humana na Terra, e destes símbolos, ideias, imagens, ações, rituais, narrativas, espetáculos, celebrações, relações coletivas, inconscientes temos 'necessidade vital' como disse Mário Pedrosa.
Se os símbolos são dominados por uma classe mais educada, mais informada, detentora dos meios de produção e comunicação, que cria e controla seu próprio mercado ideológico, selecionando atores, pessoas, narrativas, corpos, faces, vozes, habilidades histriônicas, criando realidades ideológicas que acabam por tornar-se hegemônicas pelo ameaçado controle tecnológico e político das televisões, cria-se assim o imaginário possível e sugerido, mediocrizado, imbecilizante, que premia a loucura, a desonestidade, a futilidade, porque induz esse comportamento em toda a parcela da população que está afetivamente vinculada com a televisão seus atores e seus símbolos."A arte tem estranhos poderes, trabalha o afeto das pessoas" Profetizou Pedrosa. Aí há uma perversa relação entre beleza e desonestidade. Todos são muito belos, têm corpos perfeitos, mas mentem o tempo todo, não têm opinião, discurso, palavra, criticidade, inteligência sobre nada. São todos atores com papel, só existem sob as ordens dos diretores e produtores, apadrinhados do patrão, que Faustos, impõe sobre a produção cultural possível uma fatia de realidade que leva a sérios danos cognitivos e de saúde mental a grande parte de nossa população ainda pobremente encantada com as piadas simbólicas e escárnios inconscientes produzidos pela televisão e seus lacaios. Os efeitos colaterais culturais, ideológicos, políticos são incalculáveis e só podem se manifestar em crise global de saúde mental, crise de sentido, crise da compreensão que temos de nós mesmos e do mundo. Dada a imensa quantidade de SPAM que circula em nossas comunicações.
SPAM é espírito obsessor. Informação clara e adequada é Deus.
Por isso é urgente, necessário e estratégico, todos os setores progressistas preocupados em construir já o processo de nação que poderá inspirar o projeto de nação, devemos focar e construir melhor as representações através da melhoria da qualidade dos atores. Baste de ignorantes, fúteis, histriônicos abusados, desinibidos, garotos de programa, nada contra, mas o que defendemos aqui é 'necessidade vital', é questão de saúde mental, que nós brasileiros possamos nos representar de melhor maneira, apontando para um futuro com saúde. Nossa experiência documentada e publicada nacional e internacionalmente demonstra os efeitos de quando a expressão do ator é feita de forma metódica e com conteúdos trabalhados na realidade do hospício de terceiro mundo, com alta mortalidade de pacientes psiquiátricos crônicos, onde uma estratégia de promoção da saúde desta população se faz na verdade urgente, e por 7 anos conseguimos trabalhar dentro do labirinto, o único recurso que tive, foi eu mesmo enquanto ator, que ao me encarar ator, estudando o método, trabalhando com Atores como Duse Naccarati, Ney Matogrosso, Camilla Amado, Amir Haddad, Junio Santos, Ray Lima, Vera Dantas, Berenice Xavier, Mirian Rodrigues, Jaci Oliveira, Edmar Oliveira, Reginaldo Terra, Nilo Sérgio, no Rio de Janeiro, no subúrbio do Engenho de Dentro, no Hospício mais antigo do Brasil, seguindo os passos da Dra. Nise da Silveira que nos deu o Elixir da Emoção de Lidar, seu método científico de promoção da saúde através da arte, claro. Foi batata. Deu certo. Hoje temos a NUVELA www.upac.com.br/nuvela com mais de cem filmes misturados ao acaso metanarrativa para todos que não viveram e não viram essa experiência, vejam o que nos salvou e salvou a saúde mental brasileira da caretice, como fez um dia a Dra. Nise da Silveira, o Dr. Osório Taumaturgo Cesar, o Dr. Lula Wanderley, o Dr. Ronald Laing, o Dr. Gregory Bateson, o Dr. Jacques Arpin, o Dr. Laurence Kirmayer, e tantos outros que ousaram pensar a arte, e a cultura numa perspectiva mais saudável. Cansamos dessa doença culturalmente instalada dentro dos atores. Todos os seres humanos são atores. O mundo é um palco. Entre em cena antes que a cortina feche.

- Só nós dançaremos em honra de Dionisos?
- Sim. Todos os outros estão loucos. Basta ver a determinação socio-econômica da saúde pública, eufemismo científico para genocídio dos pobres.

Nós atores, seguiremos, atuando diferente, com outras linguagens, com linguagens dialógicas, abertas, para o espaço público, para a democracia, para a construção compartilhada da realidade do espaço público. Qué vim. Vem.