​ Sobre o VI Congresso da UPAC em Franca, São Paulo.

Publicado por Vitor Pordeus em 11/11/2016

22 a 27 de novembro de 2016 VI Congresso da Universidade Popular de Arte e Ciência! Viva a inteligência e a engenhosidade humanas!

O ano de 2016 foi um ano de cura, de revelação das sombras, desvelamento da realidade, reconhecimento da doença e do desvio. O secretário de doença pública tramou com sua equipe de carcereiros do espírito, governantas de aushwitz e titias da arteterapia, e fecharam organizada e silenciosamente o Hotel da Loucura, a comunidade criativa que vinha continuando o trabalho da Dra. Nise da Silveira e sendo um oásis na cidade homicídio do Rio de Janeiro. Foram 7 anos de trabalho na secretaria da doença e no hospício - o campo de concentração do espírito, o labirinto da ciência cartesiana e neo-darwinista que quer saber quem é superior e quem é inferior, que vê a guerra como a maneira de relacionar-se e dominar o mundo. Não nos calamos. Denunciamos. Nos comunicamos. Contra a maldade coletividade. Descobrimos que o hospício, o golpe, já está instalado dentro das pessoas e vimos as máscaras de antigos companheiros de trabalho se retirarem para as sombras e atuar sob a lógica manicomial autoritária tão forte, farmacológica, e universalmente presente nas cabeças contemporâneas. Mas vimos também o valor subestimado do povo brasileiro, das mulheres do povo brasileiro, especialmente nossas atrizes Mirian Rodrigues, Marcia Marcia Proenca, Paula Ferrão, Karina Matos, Zézé Do Carmo e também o artista revolucionário Edmar Junior Oliveira e também nossos mestres Psiquiatras que escreveram textos de manifestação de apoio em defesa do Hotel da Loucura Edmar Oliveira, Lula Wanderley, Gina Ferreira, recebemos textos científicos sobre nossa experiência dos antropólogos que fazendo seu doutorado trabalharam diretamente conosco no Hotel da Loucura e eles sim podiam opinnar, cientistas verdadeiros que não fugiram a seu dever ético Felipe Magaldi, e Luciano von der Goltz. O apoio internacional dos cientistas brasileiros, como Nelson Vaz, do maior cientista israelense em atividade Irun Cohen, a defesa do grande ator e diretor Amir Haddad, do grande cantor e colaborador da UPAC Ney Matogrosso. Apoio da Professora de artes cênicas Nara Salles e seu grupo de pesquisa. Tivemos dezena de matérias em jornal. Nada disso sensibilizou a cadela do fascismo fáustica ocupando a gestão pública de saúde mental. Mobilizamos o Brasil e o mundo em torno da injustiça de fechar um serviço público em excelente funcionamento proporcionando promoção de saúde mental. Tivemos que encarar também o difícil e incompreensível silêncio de toda uma corte de ditos profissionais de saúde e Niseanos, pessoas trabalhando e ganhando dinheiro com o nome de Nise da Silveira, silêncio, silêncio, silêncio, silêncio por alinhamento ideológico consciente ou inconsciência com esta cadela do fascismo que agitou-se dentro de todos. Nise jamais se omitiu de nada. Nise jamais deixou de falar sobre as injustiças cometidas contra os pacientes sempre os piores prejudicados e os mais mal-tratados de todos, com uma mortalidade altíssima. Todos querem falar em Nise mas não querem saber da situação dos doentes psiquiátricos brasileiros hoje condenados ao inescapável esquema da droga-tranca-choque importado acriticamente por interesses comerciais. É o perigo do entretenimento, alienante, ameaça alienar e silenciar a obra da Dra. Nise da Silveira. Precisa ser dito.

Tivemos finalmente, a chamada de solidariedade de nosso Alexandre Magno Jardim Pimenta, nosso Alexandre O Grande de São Paulo, que unido com grupos de educadores, artistas, músicos, terapeutas da cidade de Franca, terra de Abdias do Nascimento e Carlos Assumpção, propôs dialogarmos com o Festival Amálgamas Brasis que puxou nosso sexto congresso nacional com nossos Mestres maravilhosos, com nossa gente amorosa, que ama conhecer, criar, dialogar, trabalhar coletivamente, simbolicamente que estudam, pesquisam, e produzem obras a partir da obra de Carl Jung, Nise da Silveira, John Weir Perry, Humberto Maturana, Nelson Vaz(presente fisicamente), Amir HAddad(idem), Junio Santos (idem, Ray Lima(idem), Vera Dantas(idem) Cantam os ancestrais! Eles cantam com a gente, e através da gente, se soubermos dialogar e desenvolver o diálogo. E fazemos isso desde as primeiras formas de organização viva há 4,5 bilhões de anos atrás. Não tem erro. Tem oportunidades perdidas.

E ante-ontem fomos honrados com o Prêmio de Direitos Humanos Juíza Patrícia Acioli, conferido pela Associação de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, com uma comissão de 17 especialistas notáveis que nos deu o primeiro lugar por práticas humanistas.
Ao Brasil, nosso povo honesto e trabalhador, nossas comunidades e famílias que querem alegria e prazer, saúde e perspectiva de futuro para a humanidade e o planeta. Amamos amar e queremos mais. QUanto mais amamos mais amamos o mundo e as pessoas, a natureza, os minerais, o cosmo.

Em Franca de 22 a 27 de novembro de 2016 para fazer renascer nosso entusiasmo e saúde mental.