​ Psiquiatria - Cura psíquica, Teatro, Artes e Liberdade de Expressão.

Publicado por Vitor Pordeus em 16/12/2016

Vamos dar nomes aos bois da arte teatral da cura psíquica Teatro.

Eurípedes em 402 a.C. em As Bacantes fala claramente sobre a importância dos rituais para a sobrevivência da coletividade e sua saúde mental. William Shakespeare fala disso em todas as suas peças, em especial no Hamlet quando afirma que criaturas culpadas confessam seu crime ao serem perturbadas pelas sugestões engenhosas de uma cena, e sua última peça Two Noble Kinsman, contem uma cena de cura psíquica . Goethe em 1816 escreveu a peça Lila que narra a doença mental de uma rainha e sua cura através do teatro. Antonin Artaud escreveu extensamente sobre os poderes psíquicos e espirituais do teatro. Jacb Levy Moreno desenvolveu o método do Psicodrama, Sociodrama e variações com grande sucesso internacional. Nise da Silveira demonstrou sistematicamente que a expressão de imagens, também com teatro, tem efeito anti-psicótico e promotor de saúde mental. Os contemporâneos

Lula Wanderley, Gina Ferreira aplicando o conceito e arte de Lygia Clark de "objetos de relação" demonstraram e demonstram com suas práticas sistemáticas os efeitos terapeuticos da expressão dos conteúdos internos mediados pelos objetos relacionais. Jacques Arpin utilizando teatro, performance e antropologia em colaboração com Eugênio Barba do Theatret Odin na Dinamarca, demostrou os efeitos terapêuticos das práticas expressivas. O psiquiatra norte americano formado na Harvard e com o Jung, John Weir Perry demonstrou o "Drama Ritual de Renovação" em centenas de episódios psicóticos tratados com diálogos expressivos sem medicação, evoluindo 80% para a cura Nossa própria experiência de adaptação do método de teatro desenvolvido no Brasil por Amir Haddad, Junio Santos, e a cenopoesia de Ray Lima foi capaz de demonstrar, docuementar e publicar os efeitos terapeuticos e expressivos na mesma população, de esquizofrênicos e psicóticos crônicos, as formas mais graves de transtorno psíquico, que Nise da Silveira trabalhou no Engenho de Dentro, encontrando os mesmos achados, de evolução e desenvolviemnto sustentado da personalidade.

Como ainda é possível que a base do tratamento psiquiátrico seja o esquema droga-tranca-choque? E isso seja aceito com naturalidade.

Como podemos ignorar imensas evidências históricas e contemporâneas, práticas vivas e sustendadas, muitas vezes negando nossas experiências e ideias, submetendo a todos à mediocridade e à corrupção?

Que tipo de Egos inflados estão dominando as coletividades que impõe seu saber e suas práticas sem qualquer capacidade de diálogo e construção coletiva autêntica?

Impondo um modelo científico caduco e apocalíptico, nos levando a situação do genocídio popular com as mais altas taxas de homicídio do mundo bem na nossa cara, nos lembrando que estamos sendo governados pela violência e a irracionalidade?

Não falta experiência de sucesso, não falta saber ancestral dos Brasileiros que lutaram, resistiram e transformaram chumbo em ouro.

Falta um sistema de comunicação pública, cultural, vivo, diário, cotidiano em cada comunidade para que os cidadãos saibam e pratiquem o que é útil e importante. O que promova a saúde e não mais a doença para cobrar a droga-remédio.

Acreditamos que nossas experiências só podem ser úteis aí na construção de coletividades criativas e comunicativas nos territórios das comunidades e das cidades.

Nada novo paira sob o sol. A loucura dos homens é a ganância.

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