Carta Aberta ao Ministro da Saúde do Brasil

Publicado por Vitor Pordeus em 19/12/2015

debates públicos de saúde mental, por que não? a emergência é máxima.

Carta Aberta ao Ministro da Saúde da República Federativa do Brasil.

Saudamos vossa digníssima pessoa e que esta mensagem o encontre em paz, harmonia e boa saúde.

Talvez nosso maior desafio seja descobrir caminhos viáveis de colaboração e diálogo. Dada a perspectiva de emergência de saúde mental mundial com a escalada de terrorismos, guerras bombardeios, a epidemia de suicídio e depressão que afetam as cidades mais ricas do mundo, a guerra civil Brasileira mais letal que muitas guerras do oriente médio que nos leva a taxa de homicídios absoluta mais alta do planeta, e também o comportamento auto-destrutivo do Brasileiro no trânsito onde também somos campeões mundiais de morte no trânsito. Imensos desafios de saúde mental aguardam sua gestão e seu fazer político. Como fazer política em meio a insanidade? Será mesmo possível?

A ocupação dos movimentos sociais iniciando o diálogo efetivo com a gestão pública deveria ser o sonho de todos os gestores públicos. Pois de que outra maneira poderá esse gestor deixar sua marca histórica na construção da saúde pública brasileira se ele não tem penetração nos territórios das comunidades e das cidades? Quem melhor que o próprio movimento político organizado dos cidadãos para fazer efetivar os pactos políticos construídos de forma democrática, republicana e cidadã?

Propomos a realização de debates públicos “Debates Públicos de Saúde Mental” – com microfones verdadeiramente abertos, nos espaços públicos, nas praças das cidades do Brasil – sobre os temas prioritários da política de saúde mental. E dentro da tradição democrática ancestral, convocaremos nossos cidadãos mais sábios com maiores experiências locais, nacionais e internacionais, e em exposições públicas, com ricas manifestações culturais em diálogo e debate permanente. Com debates abertos, claros, em linguagem pública, viável em espaços públicos, produziremos consensos públicos e comunitários, coletivos, sobre que condutas deveremos adotar para enfrentar eficientemente os desafios da saúde comunitária e pública brasileira, produzindo autonomia, pacto democrático e comunitário, pacificação verdadeira. Pois a relação só pesa quando o diálogo falha. Enfim saúde mental, para podermos nos organizar e construir o Brasil com mais saúde de fato.

Estes pactos deverão ser acompanhados coletivamente e renovados ritualmente constantemente, nos lembrando e nos animando uns aos outros para árdua tarefa de enfrentar as doenças controláveis e curáveis que ainda afligem nossa população. Caso nosso diálogo seja efetivo e construtivo será oportunidade histórica de efetivação das políticas nacionais de promoção da saúde, atenção básica, educação em saúde, educação popular em saúde e algumas outras já publicadas pelo Ministério da Saúde pela construção do Sistema Único de Saúde.

Atenciosamente subscrevemos e colaboramos,

Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde, Instituto Municipal Nise da Silveira, Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro

Hotel e Spa da Loucura, Universidade Popular de Arte e Ciência, Rio de Janeiro www.ocupanise.org.br

ANEPS – Articulação Nacional de Movimentos e Práticas em Educação Popular em Saúde, Brasil.

Laboratório TupiNago de Arte e Ciência, Rio de Janeiro, Brasil

Movimento da Luta Anti-Manicomial, Brasil.