Sobre a Gênese Mitológica do Fascismo (O Mito de Dionisos e Penteu)

Publicado por Vitor Pordeus em 4/1/2016

Dionisos e Penteu

Sobre a Gênese Mitológica do Fascismo (O Mito de Dionisos e Penteu)

Dionisos, Deus do teatro, da loucura e do vinho, foi concebido por Zeus para ser seu substituto na liderança dos Deuses na Grécia Antiga. Por isso foi perseguido desde seu primeiro nascimento, em especial por Hera, esposa ciumenta de Zeus e suas infinitas amantes, como Perséfone, deusa da primavera, mãe de Dionisos em sua primeira encarnação, e a mortal Princesa Tebana Sêmele, na segunda encarnação. Desse modo, Dionisos teve que ser criado no Monte NISE nas mais longínquas regiões do mundo, criado pelas Musas e as Ninfas que o ensinaram suas habilidades, No exílio, Dionisos criou o vinho, viajou o mundo, conheceu as culturas bárbaras, trabalhou e celebrou com os povos ancestrais, aprendeu os ritos báquicos, os mistérios de Eleusis. Se constituiu como o Deus Eleutérios, o liberador.

Quando Dionisos retorna à Tebas, encontra no poder, seu primo Penteu, militar, general, arrogante, reprimido, violento. Penteu ordena a prisão de Dionisos e suas mulheres sacerdotisas, As Bacantes e Mênades, reprime o carnaval, a festa, a orgia pública, tão ancestral, tão necessária à saúde mental das coletividades. Em sua arrogância, Penteu é advertido que ele não pode ir contra os Deuses e as tradições, que os castigo é o esquizo-destroçamento-mental-frênico, aqueles que não dançam em honra de Dionisos são punidos com a loucura e a destruição.
O General Penteu não escuta, já está semi-consciente embebido em sua arrogância ignorante da tradição. Os soldados trazem Dionisos preso para a cadeia pública. Ele invoca suas Bacantes para dançar furiosamente e derrubar os prédios públicos, Dionisos é liberado com a demolição dos prédios. Penteu finalmente é abalado em sua arrogância, Dionisos então o enfeitiça, faz com que ele se vista de mulher e o leva para dentro do Coro das Bacantes e o denuncia à suas sacerdotisas. Estas que estão tomadas pelo Delírio Dionisíaco do vinho e da mágica, identificam o Penteu como um Leão a ser sacrificado em honra do Deus, em especial, a própria mãe de Penteu, Agave, irmã de Sêmele, que participa do rito enquanto sacerdotisa, ela própria ajuda a matar por despedaçamento o próprio filho e leva sua cabeça de volta para Tebas para mostrar a todos o troféu do sacrifício religioso. No fim do mito, Agave recobra a consciência em horror de seus atos, Dionisos retorna e expulsa toda a família de Tebas, a primeira cidade, condenado-os ao exílio.
Moral da história: quem vai contra as tradições populares é castigado com as forças inconscientes da loucura. Uma cidade que não dança está doente.
Nossos governantes estão engolidos pelo arquétipo de Penteu, e contra eles só a força eterna de Dionisos, só as forças eternas da loucura poderão conte-los. Através da cultura, da dança, da música, da poesia e do teatro podemos revelar esse mito, proclamar a opressão e acelerar o esquizo-destroçamento-mental-frênico desses verdadeiros inimigos públicos que graças a sua corrupção e doença ocupam avidamente as posições de poder político. Dionisos é o Deus da coletividade, do extase coletivo. Como ficou chato ser moderno, decidi ficar eterno. Evoé Dionise-se!