​O controle ideológico da cultura e da saúde mental: o papel dos atores da televisão.

Publicado por Vitor Pordeus em 25/1/2018

ator e ideologia política

Pois é. E ainda é massivo e monstruoso o controle ideológico da mídia de massa, fundamentalmente, a televisão, cuja ferramenta mais poderosa de vinculação afetiva e ideológica ainda são as novelas, filmes, programas de entretenimento e esportes, que se fingem de neutros, mas aí é que transmitem os valores comportamentais e ideológicos para o grosso da população que de fato só tem a TV como fonte de informação (50% dos brasileiros não tem acesso a internet). Valores ideológicos e políticos que só podem ser materializados pelas pessoas, pelos rostos, pelas máscaras, pelos atores-garotos propaganda, atletas-garotos-propaganda que seguem exatamente as palavras e os gestos roterizados pelo patrão da televisão-que obedece aos patrões dos bancos/indústria das drogas/armas- exibem suas marcas, ostentam suas grifes de poucos patrões fáusticos que decidem o destino de milhões, que lançam populações inteiras ao genocídio por um pouquinho mais grana e ilusão de poder. Depois vem os jornais com seus jonalistas-garotos-propaganda-maus-atores e colocam as manchetes no lugar da consciência e os pingos nos Is. Diabólico: A novela, os esportes e os reality shows excitam sexualmente com os rostos e corpos mais belos porém desonestos da realidade nacional, abrindo o caminho para os jornais enfiarem a opinião e discurso ideológico.

É essencial que compreendamos o papel dos atores-garotos-propaganda-atletas que são tratados como semi-deuses num sistema de controle ideológico da população, enquanto os deuses são os donos dos bancos, dos Goldman Sachs da vida, fanáticos pelo diabo do dinheiro.
Minha experiência documentada de 9 anos contínuos, no Brasil, no Canadá e no México, com treinamento de atores a partir de pessoas que caíram nas garras do sistema psiquiátrico, mostra que há algo de muito profundo nessa relação entre assistir, atuar, e ser capaz de protagonizar sua própria ação. A resposta clínica continuada de pessoas que tiveram os piores diagnósticos psiquiátricos, e que ao entrar para o teatro e nosso método de representação, se desenvolvem continuamente com acompanhamento documentado e publicado não é algo trivial. São estes os melhores atores do mundo que foram capazes de vencer o controle ideológico da saúde mental. Acredito que essa experiência poderá nos ser útil nesta luta ideológica por saúde mental e justiça social que nosso país está perdendo violentamente, mas que temos experiências científicas psiquiátricas poderosas, situadas entre as mais importantes do mundo (Osório Cesar, Nise da Silveira, hoje a nossa própria, entre outros) que poderão inspirar mais movimentos de liberação da consciência comunitária através da cultura e geração de atores próprios em cada comunidade, em cada praça, um teatro para divertir, entreter, informar e contribuir com a organização comunitária. Os patrões fáusticos gananciosos e genocidas se apresentam como a solução do problema que ele próprio estão causando, mentem descaradamente, temos aí síndromes graves de doença mental. Eis a insanidade. Não pode dar certo. E os atores-garotos-propaganda-atletas são o eixo de geração deste estranho poder afetivo que as telas desempenham numa humanidade caduca e doente, à espera de um novo ciclo cultural humano. Para nos curarmos dessa doença ideológica, vamos precisar, antes de tudo, compreende-la. Nossa experiência poderá ser útil aqui.