A base do problema é a corrupção da linguagem

Publicado por Vitor Pordeus em 24/2/2018

liguagem e corrupção

"Ajusta o gesto à palavra, ajusta a palavra ao gesto." Shakespeare em Hamlet.

Usar os nomes de forma irresponsável, sem efetivamente compreender o que está dizendo e fazendo, é a forma mais básica de corrupção. A corrupção da linguagem.
A corrupção da linguagem é um dos mais graves problemas de nossa cultura, vulgariza-se, distorce-se, fragmenta-se e criam-se e recriam-se circuitos de linguagem imprecisa, obscura, sempre envolvendo projetinhos instituticionais e um cachezinho barato para que tudo continue como está, e a linguagem efetiva, o gesto e a palavra sejam sempre poluídos, não nos levando a nenhuma comunicação, nenhuma conclusão, nos afundando na estagnação psíquica. É a maneira de efetivar o vampirismo.
Thomas Kyd poeta amigo de Shakespeare escreveu na peça Spanish Tragedy: Quando a palavra falha, a violência se espalha. Tanta a violência que vivemos e os traumas que sofremos, que inconscientemente nos tornamos escravos de nossos próprios traumas, e inconscientemente acabamos por trabalhar para perpetuar o trauma da traição, da perfídia, da falsidade, do veneno.
Como disse o curador indígena David Kopenawa:"Peço que quando for usar minhas palavras, que não as destrua, são heranças dos ancestrais." Já é uma excelente medida de higeine psíquica, promoção de saúde mental.

"Muitos erros na verdade podem ser ligados a este fato, simplesmente, de que não aplicamos os nomes corretos às coisas"
Spinoza B, 1677, prop. 47, part 2 da Ética, a origem e a natureza da mente.