​Sobre como adoecemos e a falácia dos agentes causadores

Publicado por Vitor Pordeus em 16/9/2018

O célebre cientista e físico Albert Einsten fez uma frase que seria de grande utilidade para refletirmos sobre os processos da saúde humana: “Insanidade é fazer a mesma coisa de novo e de novo e esperar resultados diferentes.” O atual momento histórico da medicina pública mundial revela que estamos com holocaustos em curso, eliminação de gerações de pessoas, geração após geração, por distinção de classe, raça, e status sócio-econômico. Os dados de saúde pública denunciam a morte precoce de populações e comunidades inteiras, de 20 a 30 anos de perda de tempo vivido, a ciência internacional chama de “determinantes sócio-econômicos da saúde” mas talvez devêssemos chamar de genocídio dos pobres, ou mesmo holocausto de classe, onde ano a após ano as classes vulneráveis de nossa sociedade são massacradas em máquinas imensas operadas pelo dinheiro público, má medicina, mau serviço público, doença mental pública, banalidade do mal e morte, doença, desproporcionalmente altas nas zonas mais pobres das cidades, zonas periféricas, marginalizadas culturalmente, cientificamente, medicamente, socialmente. Guetos. Campos de Concetração. Êxodos forçados. Remoções forçadas. Alta mortalidade. Altos níveis de estresse imunológico. Má nutrição. Altas cargas de traumas transgeracionais epigenéticos manifestados em doenças mentais gravíssimas, síndromes violentas. E o sistema público de saúde governado pelos vampiros, que só pensam em si, que não enxergam nada fora de seu ego, tanques de guerra do cotidiano, atropelam tudo que vêem e são escravos das próprias compulsões mórbidas, se sustentam em ignorância científica e força bruta, achando que dominam as máquinas mas na verdade são dominados por elas, servem aos desejos da morte e da destruição e causam danos permanentemente à qualquer projeto coletivo de saúde.

Esta ignorância científica toda entretanto vem revestida de Fausto, de dinheiro, de poder, de pose, de pseudologia, de falsa solução, de beleza sem honestidade, de discurso vazio, novamente excesso de Ego, todo tiete é um traíra; quem muito anuncia, peida na farofa. Todo excesso esconde uma falta. E o que esconde nosso excesso de tecnologias e máquinas por todos os lados? Esconde o fato alarmante que estamos abandonando nossos ancestrais e nossos descendentes, nossa linha de existência porque fascinados por tele-telas do Big Brother, esquecemos quem somos, mergulhamos em modelos científicos reducionistas e mal construídos que têm encaminhado claramente a humanidade para dentro da catástrofe com dados claros de “intoxicação” do meio-ambiente e de comunidades inteiras pelo menos desde o início da revolução industrial nos séculos XVIII e XIX, é deste período que advém as ideologias que podemos descrever como dominantes nos traços doentios da cultura nacional e internacional. Desse período, a sociedade Européia adota as teorias do determinismo genético, da evolução por seleção natural dos mais “aptos”, daí veio a identificação dos agentes específicos de doença, mais tardes transformados em defeitos moleculares, mutações genéticas específicas que até hoje os mais afoitos cientistas tentam tratar doenças raras para demonstrar algo que 60 anos de pesquisa já vêm, repetidamente mostrando, que o modelo que melhor descreve a maneira como nosso organismo adoece é a contribuição do inglês Conrad Waddington, que em 1946 propôs a noção de desenvolvimento epigenético, além do genético, para descrever o processo histórico: construído momento a momento, em relação ecológica, em permanente troca e transformação, o equilíbrio dinâmico (autopoiético) característico dos sistemas biológicos, os sistemas ecológicos, as comunidades, a saúde pública.

Ou seja: não há agentes específicos de doenças, o vírus da dengue não causa dengue, o virus da aids não causa aids, a bactéria de Koch não causa tuberculose, não há um gene para esquizofrenia ou doença mental. Doenças são processos epigenéticos, provocadas por pequenos eventos, marcados historicamente, que vão se transformando e acumulando em conssonância com todas as interações que aquele organismo está vivenciando, de maneira ecológica, em rede, com comportamentos complexos e sistêmicos, de modo que se você disseca, separa, reduz para tentar explicar, você mata a biologia, você mata a biologia e faz uma ciência mórbida criada a partir da morte e da tortura dos sistemas vivos. É fato científico que as emoções são de enorme importância para a saúde, doenças são ocorrências emocionais poderosas e frequentemente traduzem a força das emoções reprimidas. A dieta predominantemente herbívora é essencial para o ser humano saudável, não há estímulo mais poderoso para a saúde humana que a dieta. O exercício da criação cultural, o conhecimento das raízes culturais dos próprios povos, o respeito à liberdade expressão e o modo de vida democrático em sua máxima expressão são questões essenciais para o bom desenvolvimento epigenético da saúde ecológica de nossa comunidade planetária.

Entretanto, seguimos todos governados pela mentira, estrangulados por um paradigma “genético neo-darwiniano competitivo dinheirista fanático doente mental assassino nazista”, onde nós médicos e nossos pacientes nos tornamos reféns de nossa ignorância científica, e de fato a informação científica circula em raros círculos fechados de cientistas dedicados, e para a massa vai o marketing pseudo-científico da Big Pharma que é também a indústrias das armas e das guerras, o próprio narcotráfico, os bancos e todo o sistema financeiro, que finalmente invadem o governo com o dinheiro da corrupção e ditam política pública dinheirista e catastrofista controlando a quase todos como fantoches que imitam as novelas e seguem as notícias más infindas sempre com um comercialzinho de um remédio farmacêutico, a droga, a única solução que existe. Pronto: insanidade é fazer a mesma coisa de novo e de novo e esperar resultados diferentes.