O Alfabeto contra a Deusa

Publicado por Vitor Pordeus em 13/6/2017

Mexe. Mexe, Mexe. Vocês que podem mexer.

O Alfabeto contra a Deusa

As pesquisas que temos feito com o teatro e o método construtivo apontam que o trauma sexual começou entre 7 e 5 mil anos na suméria (Turquia e Iraque) com o surgimento da escrita por alfabeto e a emergência de Marduk o primeiro Deus a assassinar violentamente a Deusa Tiamat, depois disso nunca mais fomos os mesmos, e essa violência patriarcal sistemática contra as fêmeas que marca tão fortemente a tragédia de nossa era se explica pelas transformações biológico-culturais que se processaram em nosso modo de viver com o surgimento da escrita por alfabeto, as primeiras escrituras sagradas, o código de Hamurabi, conhecido por sua misoginia, e a repetição deste sonho da razão excessiva que quer dominar a natureza. Velho Jung já dizia. E o Professor Leonard Shlain matou a charada em seu livro "O Alfabeto contra a Deusa". E agora? Se a escrita e a verdade absoluta da escrita é a fonte inconsciente da violência, da produção da verdade absoluta.
É dessa racionalidade excessiva que derivam os abusos, os abusos sexuais de homens contra mulheres, a imposição da verdade, o fanatismo, o monoteísmo, a guerra, a intolência, o racismo, o estupro, o ataque contra as crianças e os jovens, os ataques contra os homossexuais e transsexuais, toda e qualquer vairação da lei absolutista da masculinidade racional ocidental que acreditou demais no próprio texto.
Sabemos a resposta: retornar aos modos de comunicação horizontal, direta e dialógica.

Como canta a Deusa Hekate em Macbeht de Shakespeare:

Mexe.
Mexe,
Mexe.
Vocês que podem mexer.

Espíritos negros
Espíritos brancos
Espíritos vermelhos
Espíritos cinza

Mexe
Mexe
Mexe
Vocês que podem mexer.

Oh muito bem bom trabalho
VOcês serão recompensados
Agora, em volta do caldeirão dancem
Como os elfos e e as fadas em roda
Encantando tudo que se bota.

Ame
Ame
Ame
Vocês que podem amar.

Shakespeare deu o diagnóstico e a terapêutica mais uma vez e nos ajuda a tratar as doenças mentais promovendo a saúde da coletividade. Mas tem que mexer para sair da palavra escrita, ou o excesso de racionalidade.