​Revolução Médica e Científica na obra de Nelson Monteiro Vaz

Publicado por Vitor Pordeus em 1/3/2019

Revolução Médica e Científica na obra de Nelson Monteiro Vaz

Nelson Monteiro Vaz cientista brasileiro de Niterói, inicia sua carreira de pesquisa na década de 50 na FIOCRUZ no Rio de Janeiro em Manguinhos, com o fundador da ciência fisiológica brasileira, o judeu sefaradita de Smirna na Turquia emigrado para o Brasil Haity Moussatché, e vai trabalhar na Universidade de Brasília sob liderança de Darcy Ribeiro, e vem o golpe de 64, os cientistas são expulsos, Nelson vai para Nova Iorque onde trabalhará na descoberta de genes importantes para a resposta imunológica, ganha reconhecimento internacional, e é convidado para dirigir um laboratório de imunologia no National Institute of Health em Denver - Colorado, EUA. Ali Nelson inicia sua revolução científica, na década de 70, tempo de ditaduras na América Latina quando ele conhece, e dá emprego, no laboratório em Denver outro emigrado fugitivo da ditadura de Pinochet no Chile: Francisco Varela neurobiológo e imunologista, o mais brilhante estudante e colaborador de Humberto Maturana, pronto, foi selado o destino científico de todos nós. Nesse encontro, simultâneo com a publicação da Teoria da Rede Idiotípica de Niels Jerne, que renderia o Prêmio Nobel em 1984 a Jerne, Nelson relata que sua concepção sobre o sistema imune e a própria biologia mudou completamente. Desde o encontro destes gênios, Nelson mostrou que o sistema imune participa do desenvolvimento e construção normais do organismo, tem íntima relação com as dietas e as 100 trilhões bactérias que vivem em comunidade conosco no nosso intestino (que diga-se de passagem tem 300 metros quadrados de área, nosso maior lado de fora). O sistema imunológico está 99 % no intestino e nossa dieta é o mais importante modulador de nossa atividade imunológica. Foi precisamente a descoberta desta atividade imunológica intestinal, negligenciada pela ciência hegemônica, que catapultou o brasileiro Nelson Vaz para re-escrever a história da ciência mundial, e ele sendo gênio autêntico e verdadeiro, não se deu por satisfeito, continuou e continua até hoje aos 82 anos trabalhando intensamente na melhor compreensão desta biologia ecológica e sistêmica que Maturana nos apresenta, integrando o debate da imunologia e da medicina nos necessários debates biológicos e científicos de fato da epigenética, desenvolvimento, evolução e cognição. O mínimo para um estudante de medicina não ser corrompido pelo marketing farmacêutico travestido de ciência que nos empurram goela abaixo nas escolas de medicina do terceiro mundo científico. Não fosse o gênio humano e a coragem deste Brasileiro de Niterói, formado na UFF que foi atrás do seu destino e do destino do conhecimento de seu povo, disse não à ciência hegemônica e fundou a nossa escola de ciência médica brasileira.
A segunda parte da história é Nise da Silveira para o método clínico, e acredito que Nelson e Nise são nossas prioridades científicas imediatas para restaurar alguma eficiência terapêutica em nosso adoecido meio social. A resposta virá de dentro. A resposta virá de nós, os cientistas brasileiros que trabalharam, trabalham e seguem trabalhando dentro do Brasil.