​“A alegria e a cura” de Isa Lira

Publicado por Vitor Pordeus em 13/8/2019

quinto texto de Isa Lira refletindo os acontecimentos poéticos da Oficina Livre de Teatro Hamlet de Shakespeare

O céu estava mesmo muito azul. Parecia que logo iria surgir um anjo, uma pomba ou, quem sabe, uma brisa branca naquela tarde. Todos desejam serenidade para os corações, um pouco mais de consolo na vida. Na natureza, há paz.

O ritual do teatro aconteceu na natureza pois, mais uma vez, os atores estiveram no praça, no centro carioca. Não tinha cortina, não tinha palco, não tinha poltrona. E o que tinha? Muita alegria!

Naquela tarde o que mais se viu foram sorrisos, plenitude da alma: risada do moço pobre; prazer na convidada inglesa. O homem gordo, a mulher sem dente, a criança pequena, o velho de muleta: para ninguém faltou felicidade! Um riso que ia, uma gargalhada que vinha, atores e público inventaram muita conversa animada durante a apresentação!

Talvez tudo isto fosse efeito das ervas que o índio vendia na praça, poção mágica. Ou efeito da música que o diretor do teatro tocava em frenesi. Ou da prece ouvida ao longe. Não se sabe.

Só se sabe do corpo dançante da trupe. Tatuagem de sereia no moço bonito. Perna nua. Figurino de rei.

Onde está a arte, em qual lugar reside a ciência? Erva é remédio? Onde termina o profano e onde começa o sagrado? Nesta vida, todo mundo pergunta muito mas a certeza é pouca. A beleza da alegria consola.

(Aproveito para agradecer aos participantes da oficina, todos tem sido fonte de estímulo para mim. Abraços!)