Relato-Experiência SHABESS - Todos são Atores

Publicado por felipe tupinambá em 17/7/2014

"Todos São atores."

tá, mas o que significa em profundidade essa afirmação aparentemente simplista?

Todos são Atores de suas vidas e da vida coletiva, todos participam do palco da vida, palco comum, palco indiferenciado pela vida e pela morte. todos vivem a comédia, o drama e a tragédia de se estar vivendo e escolhendo, criando e sendo criado pelas ações que colocamos no mundo. Não há saída e como diria Sartre somos condenados a essa tal de liberdade, somos condenados a atuar, a sermos atores e escolhermos ou não nos apropriarmos dessa Sina. Podemos escolher nos abster de nossa responsabilidade e nos esconder por detrás dos muros da normalidade, vivendo uma vida cotidiana e comum, sobrevivendo através de um papel que nos foi dado. Seremos assim um Ator qualquer, desses que não unem a palavra ao gesto, mas que fazem das palavras seus escudos para não enxergarem a vergonha de suas ações não realizadas. Ou podemos incorporar nossos corpos, tomá-lo pelos cabelos, pela pele e pela alma e viver buscando uma vida abundante, supervivendo, transbordando. Para isso precisamos método, estudo, mergulho, precisamos mergulhar na sombra, adentrar as profundezas do inconsciente, para perceber o que de inconsistente existe em nossa consciência, para resgatar as forças de Gozo, as potências da vida, o sonho e a capacidade de amar. A única maneira segura de mergulhar nas sombras é com o auxílio da Roda, da Mandala, do coletivo, o único caminho é o caminho trilhado junto.

Essa experiência muito fértil que vivi nesses dias fez germinar em mim diversos corpos-idéias, alimentou meu tesão pelo teatro, me fez buscar shakespeare, me fez querer recitar aos quatro ventos, despertou-me o tesão de manifestar a poesia com a voz e o peito abertos. Foi um empurrão, um empurrão feito por muitas mãos, um empurrão feito de olhares amor e desafios.

É preciso ocupar os palcos que estão aí, é preciso criar novos palcos, novos relações entre atores, novas tramas, novas histórias a serem realizadas. Para isso é necessário que vençamos o medo paralisador que habita nas sombras, é necessário que conectemos a palavra ao gesto, o gesto a palavra, o gesto ao desejo, o desejo à sombra, a sombra à consciência e a consciência ao mundo.

Existe dentro de nossas peles uma capacidade ainda não conhecida, existe uma potência absurda, uma força que não temos dimensão. Falo isso por intuição, falo isso como alguém que já viveu instantes dessa beatitude e que acredita que é possível criarmos cada vez mais momentos assim, encontros assim. Nesses sete dias vivi novamente momentos em que essa sensação se confirmava, temos que se aproximar desses sinais e nos mover em direção a esse pertencimento a essa conexão espiritual que nos permite viver intensamente o presente como atores que reinventam esse imaginário social tão embotado e carente de mudanças.

A única solução, a única possibilidade é fazermos isso juntos. Cuidar do outro é cuidar de mim, cuidar de mim é cuidar do outro. Portanto, façamos também por aqueles que não podem acessar essa dimensão, façamos pela loucura dos normais, pela pior de todas as loucuras que é a obsessão consumista e a ditadura de valores. Cuidar das nossas sombras é cuidar das sombras do outro, é cuidar desse grande palco que é o mundo.

A verdade está aí, nos afetos e encontros, ela sempre esteve aí. escondida e protegida de nossas mãos. é necessário coragem para ultrapassar os limites que nos deram, inteligência e sensibilidade para reconhecer através de nossa intuição aonde está essa verdade, habilidade para em conexão com essa força mudarmos nossas ações e a força de nossos atos, discernimento para se aproximar daqueles que ressoam conosco e engenhosidade para disseminar essa corrente de maneira cada vez mais intensa e transformadora.

Rompemos com o espírito do camelo, esse que deve sempre carregar o peso e o fardo da culpa, a vida consumida em valores mortos. Somos então leões, guerreiros lutando para atingir a suprema força da criança, o estado em que poderemos largar nossas armas e brincar e dançar com a realidade, estado em que não será preciso mais lutar e sim gozar!

Gratidão a todos!

Povoemos nosso imaginário com novas ações

Evoé!

Felipe Tupinambá