Evoé! 5 anos de sucesso da Universidade Popular de Arte e Ciência.

Publicado por Vitor Pordeus em 3/1/2015

Editorial de 5 anos de aniversário da UPAC.

25 de março completaremos 5 anos de conversações, pesquisações, cenopoesia, educação, saúde, cultura, arteciência, teatro, loucura, cura. Em uma roda realizada no Teatro Gonzaguinha no Centro de Artes Calouste Gulbenkian na praça XI com presença de companheiros e mestres como o cientista Nelson Vaz, o antônio Pedro Borges, o artista Amir Haddad, diversos atores Agentes Culturais de Saúde como Eduardo Rocha, Paulo Weber, Mauricio Tosta, Miguel Bastos, Anderson Ribeiro, Sandra Amado, lideranças comunitárias como Mariza Nascimento, Sonia Gonçalves, nossos colaboradores de longa data os músicos artecientistas Marcus Matraca e Gert Wimmer, psicóloga Katia Edmundo da ONG Centro de Promoção da Saúde CEDAPS, que viria a ser nossa parceira no I Congresso da UPAC no Teatro Carlos Gomes pouco mais de um ano depois e também Katia Edmundo nos mencionou pela primeira vez o nome de José Pacheco, o maior educador vivo hoje no mundo e nosso parceiro permanente na UPAC nesses anos de trabalho desde o primeiro congresso em 2011.

Nesse período realizamos 4 congressos internacionais, os três últimos dentro do hospital psiquiátrico mais antigo do Brasil, inúmeros seminários, eventos, espetáculos públicos e em salas fechadas, viajamos todo o Brasil e o mundo, mostrando nossa arteciência, abrimos núcleos regionais em São Paulo (Thamara Fernandes, Daniele Bargas e outros), Belém do Pará (Trupe da Pró-Cura com Vitor Nina, Bruno Passos, e Bruno Brabo), Fortaleza (Jair Soares, Ana Kariny Sampaio), desenvolvemos trabalhos continuados em diversas capitais como Porto Alegre (com o grupo de teatro do Hospital Psiquiátrico São Pedro), João Pessoa (No Hospital Juliano Moreira e os coletivos de estudantes de psicologia), também fora do Brasil em Londres com a articulação Vivartista.com (Delphine Perrot, Emma Symes, Soléne Marie, Saskia Evans e Giuia Loi), o Dragon Cafe e a Igreja Original dos Atores, a Igreja de Shoredicth, onde estão enterrados os maiores atores da história do teatro inglês, a família Burbage. Publicamos artigos científicos internacionais, dois até o momento, inúmeras matérias em revistas e e jornais. Abrimos nossa sede, o maravilhoso Hotel e Spa da Loucura, abrimos o Teatro de DyoNises que conta em seu elenco Reginaldo Terra, Jaci Oliveira(Pelezinho), Mirian Rodrigues, Denise Andrade, Edmar Oliveira, João Lima, Berenice Xavier, Eduardo Rocha, Marcia Proença, Eliane Santos, Amauri Braga, Pedro Barros, Jacqueline Antunes. No Engenho de Dentro, estreitamos parcerias com pesquisadores de toda parte do mundo, estamos em permanente diálogo e construção no mais importante centro de psiquiatria cultural do mundo, fundado por Dra. Nise da Silveira e continuado e ampliado por seus bravos discípulos através do Museu de Imagens do Inconsciente com Gladys Shcincariol, Lula Mello, Euripedes Cruz, Gloria Chan e outros colaboradores, o Espaço Aberto ao Tempo com Lula Wanderley e sua equipe, o Bloco de Carnaval Loucura Suburbana com Ariadne Mendes, Abel Luiz, Fernando Mesquyta, Elisama Arnaud, Wagner Leal e tantos outros companheiros. Em nossos congressos temos o privilégio de conviver com artecientistas Mestres como a médica, atriz e educadora Vera Dantas, o poeta e ator gênio Ray Lima, o maravilhoso ator e poeta, brincante, gênio engenheiro de cena Junio Santos, o Orfeu cariri, compositor, ator e luthier Edu Viola e sua companheira atriz Lourdes Calheiros, o grande mestre contador de histórias Francisco Gregório, o mestre cantor Ney Matogrosso também foi presença constante nessas criações.

Encenamos em média uma peça pública por ano desde nossa fundação em 2010 aprensentadas nas praças públicas de toda a cidade do Rio de Janeiro e no Brasil, em 2010 A Terra não é o Centro do Universo - adaptação de VIda de Gaiileu de Bertolt Brecht, em 2011 Terror e Miséria na Cidade Maravilhosa: Uma Cruzada, Um Profeta, Um Convite à Revelação, contando a história de Dom Helder Câmara e a Cruzada São Sebastião, em 2012 com a abertura do Hotel, O Auto da Paixão de Nise da Silveira, espetáculo épico que traduziu a linguagem de Nise, em 2013 DioNise-se, adaptação de As Bacantes de Eurípedes, e em 2014 o glorioso Hamlet, loucura sim mas tem seu método, graças ao envolvimento das atrizes Denise Andrade e Bianca Letícia que manifestaram a ninfa Ofélia, 2015 seguiremos desenvolvendo esse fascinante processo criativo da psiquiatria hamletiana.

Produzimos inúmeros filmes com cineastas de renome nacional e internacional como Luiz Antônio Pilar, Mariana Campos e Raquel Beatriz, o longa documentário Hotel da Loucura Gênese, atualmente correndo em festivais, com João Pedro Gasparian e Antônio Equi, o Ocupa Nise 2013, curta de 10 minutos, com o fotógrafo e cineasta Pernambucano Luiz Santos, o já clássico Clientes e Amigos de 2012, com 17 minutos, e a série Emergência Psiquiátrica Cultural de 2014 com quatro curta metragens, e o sensacional documentário de 17 minutos que capturou no ar as encenações de Hamlet, loucura sim mas tem seu método, do excepcional jovem diretor Dudu Mafra, o filme Stultifera NAvis que borra definitivamente as fronteiras entre documentário e cinema, teatro e realidade e ainda no fim de 2014 o grupo de Tarcila Viana, Raphael Peixote e Henrique Faerman, estudantes de comunicação da UFRRJ produziram um lindo média metragem Arte na (Lou)cura de 45 minutos, que promete esclarecer a nós próprios o nosso trabalho, também capturando momentos de Hamlet. O nosso artista residente João Lima além de atua no teatro, no jornal, fotografar e fazer poesia produziu dois lindos documentários a partir de nossas colaborações, SHABESS o método da loucura, com 25 minutos e o recém lançado no natal O Afeto é o Centro do Universo com 22 minutos. Não podemos deixar de mencionar os dois curtas produzidos em Londres. Um por Saskia Evans, de oito minutos "Let's Talk About Madness" e Helena Doyle, de um minuto e meio, "Dr. Pordeus and Vivartista" produzdos na ocasião dos eventos internacionais da UPAC na capital inglesa.

Outro avanço artecientífico dos mais importantes dessa caminhada foi o Programa de Residência Artística Coletiva da UPAC, único programa coletivo em funcionamento conhecido, com a brilhante participação dos coletivos artísticos da cidade do Rio de Janeiro como o Norte Comum, articulado por Carlos e Pablo Meijueiro, Thiago Dinis, Gê Vasconcelos, JV Santos, Gabi Faccioli, Iuri Andrade, Roberto Barrucho, e grande número de companheiros e colaboradores que tem feito o impossível possível mudando o rumo da cultura carioca, que realiza há mais de um ano continuamente os maravilhosos Saraus Tropicaos com exposições multilinguagens, apresentações musicais, trabalhos artísticos individuais e coletivos que foram responsáveis pelo enorme crescimento e ocupação do Hotel da Loucura 2, além de grandes e brilhantes ações culturais nos territórios do Rio de Janeiro, como as Ágoras Cariocas com o Prof. Luiz Simas, o Cabloco Satélite e o Geringonça em parceria com o SESC Tijuca. Outro coletivo que realizou muitas atividades de excelente qualidade no Hotel foi o Vô Pixá Pelada, liderado pelos artistas Jovian Viana, André Chaves, Jeferson Andrade e outras "peladas" como constumam se referir, realizaram a exposição Fábulas Fabulosas com trabalhos dos artistas clientes do hotel, o evento multilinguagens Motirô, receberam artistas em intercâmbio e seguem articulando novas parcerias com o Hotel. O Vô Pixá Pelada mediou a entrada de novo coletivo no programa de residência, o coletivo Ação Imediata Anarquista que em apenas dois meses de ocupação já realiza relevantes ações como o Jornal impresso Re-OrgaNise-se lançado no dia 14 de dezembro comemorando o aniversário da artista-residente-cliente Luciene Adão da Silva, e o projeto Recicle que a partir da chepa da feira do Engenho de Dentro produz comida de qualidade para os residentes no Hotel da Loucura 4. Outro coletivo de grande importância é a TV Caiçara que realiza regularmente festivais de cinema com filmes produzidos por eles próprios e ligados à cultura afro-brasileira, articulado por Rafael Ferreira, Igor Costa, Raphael Cruz e outros artistas, também desenvolvem outro coletivo irmanado o Coletivo Criativo de Rua - CRUA que faz intervenções urbanas, grafitti e outras iniciativas de arte urbana. Outro coeltivo que veio se destacando na construção do projeto coletivo é o Nectar - Núcleo de Experimentações e Transas Artísticas, articulardo por Denise Andrade, João Lima, Linda Mariana, Edmar Oliveira e outros que além de atuar decisivamente no Teatro de DyoNises na peça Hamlet, loucura sim mas tem seu método, realizam outros eventos no território da cidade como o sucesso Baile da Ofélia no Centro de Artes Maria Teresa Vieira no centro do Rio. A residência artística ganhou ainda nomes de peso das artes visuais públicas brasileira com a adesão e verdadeiro mutirão de arte promovido pelo coletivo de grafiteiros e pintores liderados por Carlos Bobi, André Kaja Man, Vinicius Spam, Rafael 7, Pedro Jardim, Heitor Correa, Joana Cesar e um grupo que alcançou a impressionante marca de 80 artistas trabalhando nas maravilhosas obras de arte feitas nas paredes dos Hotéis da Loucura 3 e 4, culminando na visita e produção de obra tridimensional do artista americano contemporâneo Ron Engish que veio também solidariamente deixar suas marcas e profecias no Hotel da Loucura.

Outro avanço de nossa caminhada é o envolvimento permamente do Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, fundado e coordenado por Vitor Pordeus em janeiro de 2009, articulador de todo esse processo e a forte participação e construção do projeto colaborativo das Escolas Populares de Saúde - comunidades de aprendizado - fundadas e desenvolvidas em sete territórios da cidade do Rio de Janeiro, acompanhadas cotidianamente pelo coletivo dos Agentes Culturais de Saúde nas seguintes comunidades: Morro Azul (resp. Aldecir Costa, Vera Lembo, Elaine MArcelina), COmplexo do Alemão (Sandra Amado, Nancy Senhor, Ana Maria Oliveira) , Vigário Geral(Anderson Ribeiro), Água Santa/Encantado (Iara Reis e Mauricio Tosta), Campo Grande (Paulo Weber e Alan Botelho), Palmares (Augusto Nascimento), Morro do Urubu (Fernando Brito, Andrea Lins e Alan Carvalho). Além do desenvolvimento de atividades artecientíficas nos territórios as EPSs, também desenvolvem oficinas na rotina de funcionamento do Hotel da Loucura. Além das EPSs comunidades de aprendizagem, nesses 5 anos de trabalho também mativemos parceria institucional com a Coleção de Plantas Medicinais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro sob responsabilidade e parceria da botânica Yara Brito e através do Agente Cultural de Saúde Danilo Marques, realizando a comunicação do conhecimento das plantas que curam e as comunidades envolvidas em nosso movimento.

Marco também foi a abertura do Café de La Nena no Hotel da Loucura 1 servindo refeições de ótima qualidade com preços honestíssimos, fundado pela Chef de Cozinha nossa colaboradora Lena Sampaio. Iniciando de forma prática a reflexão sobre a qualidade de nossa comida e seu impacto sobre a saúde mental, a interessante reflexão que nos propõe a Psiquiatira Nutricional, já debatidas em um primeiro seminário ritual que deu início a essa pesquisa

Estes são apenas parte de tantos acontecimentos e aprendizados do que vivemos nessa utopia viva de um movimento político-cultural artecientífico, muitos outros eventos importantes encontram-se publicados em nossas redes sociais, blogs, artigos e reportagens.

Estamos avançando no entendimento que nossa convivência é sagrada e a linguagem é capaz de curar, as modificações estéticas que em nossa experiência envolvem teatro, cinema, documentários, oficinas e espetáculos. Assim disse Ray Lima no ponto mais profundo de aprendizado que consegui enxergar nesse ano: As linguagens carregam em si conteúdos autoritários e devemos a todo momento ter coragem para enfrenta-los e modifica-los em nossa ação. A cenopoesia cura. O teatro cura.

Disse José Pacheco no alto do Ocupa Nise 2014: é preciso aprender a desobedecer, a desaprender e à desaparecer. Os egóicos não sabem desaparecer. Se ofendem. Se batem. Surtam. Perdem a oportunidade de criar coletivamente. E nós superamos mais essa contradição.

É fato a loucura tem método e não tem segredo, tem trabalho a beça.

Que venha 2015 para seguirmos curando a nação brasileira até a república livre. É inevitável. Irreversível. E o ritual de transformação está abertinho para nós. Os deuses estão sorrindo para nós. Vai abrir o mar vermelho. Estamos nos emocionando e emocionando às forças divinas da natureza que assim se comunicam e nos fazem avança. A natureza está em festa.

5 anos de uma longa vida da Universidade Popular de Arte e Ciência do Brasil pela liberdade de expressão do sonho da república verdadeira da nação brasileira.