I Simpósio Nacional de Cinema e Psiquiatria Cultural em Semana Santa

Publicado por Ana Consani em 21/4/2014

Impressões de uma semana de trabalho no Hotel da Loucura, com os convidados alquimistas Luis Santos Hermes e Douro Filosofal Moura.

"O que dentro de ti te mata, fora de ti te salva"

A semana foi intensa.

A lua ficou vermelha. Terra, lua cheia e Sol em um momento de perfeito alinhamento no balé celestial.

Na cidade do Rio de Janeiro, testemunhamos seres humanos fardados fazendo a remoção violenta de seres humanos não fardados, de um prédio abandonado de uma corporação talvez bilionária, um exército "guiado por um príncipe sereno e dedicado, cujo espírito, inflado por divina ambição, é indiferente ao acaso invisível, e expõe o que é mortal e precário a tudo que a Fortuna, a morte e o perigo engendram, só por uma casca de ovo". O cenário da nossa cidade administrada por loucos se entrelaça com Hamlet e sua loucura capaz de distinguir um gavião de um falcão, quando o vento é do Sul.

Assistimos memórias da janela da Dra. Nise da Silveira. Percorremos o inconsciente coletivo na velocidade do ar. Explosões diversas. Sombras manifestadas. Dançar com nossos antepassados. Cantar nosso instinto animal. Nos organizar enquanto civilização, como povo que tem consciência da doença, e da cura.

Há cinco meses dei de cara com esse bando de loucos, batucando do coração, dançando da alma, falando com os Deuses. Abriram um portal através do teatro em um espaço de convivência afetuosa e relações criativas. Presenciei a caminhada com desdobramentos infinitos de uma semana intensa de peregrinação por lugares que abrigam anjos, demônios, filosofias, vozes, povos. Povos escravizados, povos oprimidos, povos revolucionários, povos sábios.

Somos todos rematados canalhas, doentes potenciais, na caminhada da evolução da nossa raça que não sabe a que veio.

"Espaço e relação"

"A forma é o conteúdo derramado"

O transbordamento de conteúdos manifestados em troca constante, convivência criativa e psiquiatria comunitária. As ramificações que nos trouxeram para este agora, as tantas gerações... Os gritos que gritamos não são nossos, são nossa história. A inevitável inundação, que causa algumas catástrofes, contornadas coletivamente, mas que também traz a expansão transcendental do nosso povo, a possibilidade de haverem pontes entre culturas, relações, saúdes. As terras estão férteis. Arte é experiência.

Shakespeare como guia, Vitor Pordeus como guru e o coletivo como extensão do meu afeto incondicional, na desconstrução de hábitos e preconceitos e a construção de pensamento científico, da prática ritualística, da política das multidões que carregamos. Amor, amor, amor. Manifestar o amor, dialogar o amor, nos elevar ao amor.

"Por que repetir, se podemos criar?"

"Todo ser humano é ator"

Evoé!